Olimpíadas e Psicologia do Esporte

O esporte como um todo no Brasil é visto, normalmente, como uma possibilidade de mudança, especialmente em relação a questões socioeconômicas. No caso dos Jogos Olímpicos isso não seria diferente, quando o Brasil foi eleito a sede dos Jogos de 2016, talvez fosse a grande oportunidade de alavancar algumas questões relacionadas ao esporte, tanto de infraestruturas, na construção de centro de treinamentos, ginásios, dentre outros, como na possibilidade de concretizar projetos com o aumento do financiamento no esporte.

 

Parece-me que mais uma vez perdemos tal oportunidade, antes mesmo do início dos Jogos.

 

E como isso atinge questões relacionadas a Psicologia do Esporte? Já que temos dificuldade em trabalhar com questões de áreas já “consolidadas”, como conseguiríamos abordar uma área ainda crescente no Brasil?

 

Além de tudo isso, existe uma grande pressão por resultados, afinal medalhas passam a ser obrigação, pois os atletas estão atuando “em casa”. Existe também uma contabilização do número de medalhas possíveis pelo comitê olímpico e de cada modalidade, mas uma vez isso atinge os atletas diretamente, pois, mesmo isso não sendo totalmente divulgado, sempre se tem especulações acerca dos possíveis nomes e equipe com chances de medalhas. Imagine agora seu nome nesta lista, a obrigação passa a ser maior. No outro extremo, caso seu nome não esteja na lista significa que quase ninguém está acreditando no seu resultado. Como agir frente a tudo isso sem a devida preparação?

 

Infelizmente ainda acredita-se aqui no Brasil no imediatismo e que os atletas surgem e se formam “naturalmente”.

 

A psicologia do esporte acaba sendo procurada apenas por atletas que tiveram algum problema em situações e eventos anteriores e mesmo assim, às vezes, esse trabalho ocorre próximo ao período competitivo e não como algo integrado aos demais aspectos do treinamento.

 

De acordo com informações veiculadas pelo jornal Folha de São Paulo no dia 19 de julho, em matéria intitulada: “Seleção brasileira de futebol abre mão de psicólogo nos Jogos Olímpicos do Rio”, escrita por Sérgio Rangel, está escrito que o Comitê Olímpico Brasileiro possui um grupo de 30 psicólogos, sendo o futebol, uma das poucas modalidades que não conta com este trabalho. Não existe relato sobre a convocação dos psicólogos para os jogos. No caso do Comitê Paralímpico Brasileiro a convocação apresenta 3 psicólogos nas modalidades: bocha, natação e atletismo.

 

Analisando o contexto anteriormente apresentado e considerando que os Jogos serão no próprio país, minimizando alguns gastos e necessitando um resultado mais expressivo tal número é praticamente irrisório. Para se ter uma ideia de comparação, segundo notícia veiculada no Conselho Regional De Psicologia De São Paulo, nos Jogos Olímpicos da China, a equipe chinesa contou com 60 psicólogos do esporte.

 

Considerando ainda o fato de que, nós brasileiros, temos os aspectos emocionais e uma variação nos mesmos bem elevada, como comprovado por alguns estudos, a situação fica ainda mais preocupante.

 

É necessário também cautela para que não tenhamos psicólogos que não tenham noção da modalidade esportiva, pois se trata da psicologia do esporte. Portanto devemos considerar as especificidades de cada modalidade esportiva e para tal é necessário um número maior de profissionais trabalhando neste âmbito.

Não podemos deixar de falar também que alguns atletas, muitos com resultados bem expressivos no cenário mundial, contam com uma preparação individualizada da psicologia do esporte, integrado nos treinamentos e talvez ajude a explicar o que diferencia o resultado destes atletas.

 

Acredito que a leitura dos textos abaixo citados possa complementar informações acerca desta temática:

 

<http://olimpiadas.uol.com.br/noticias/bbc/2016/07/12/rio-2016-escancara-crise-do-modelo-da-olimpiada-diz-pesquisador-dos-eua.htm>

<http://www.uol/olimpiadas/especiais/arthur-zanetti.htm#cabeca-feita>

<http://www1.folha.uol.com.br/esporte/olimpiada-no-rio/2016/07/1793250-selecao-brasileira-de-futebol-abre-mao-de-psicologo-nos-jogos-olimpicos-do-rio.shtml>

<http://www.cpb.org.br/>

<http://www.crpsp.org.br/portal/comunicacao/jornal_crp/157/frames/fr_psicologia_esporte.aspx>

 

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